As entidades são estratégicas na garantia de vida das populações excluídas e enquanto mecanismos de geração de emprego e renda. Na verdade, o problema das entidades não está na sua capacidade e disposição em oferecer atendimento e, sim, no nível de qualidade que se imprime a esse trabalho. É preciso melhorar o conhecimento que se tem sobre o cliente, a competência técnica e gerencial, os recursos físicos e humanos, a capacidade de articulação dos serviços em rede e garantir a participação de todos no processo decisório, com vistas à criação e realização de um projeto comum.
Sob o ponto de vista técnico-gerencial, as entidades sociais apresentara hoje uma série de falhas, dentre as quais podemos destacar:
1) a cisão entre as,áreas técnica e administrativa, bem como o isolamento entre as pessoas envolvidas no atendimento, o que impede um projeto comum e reforça modelos administrativas centralizadores e antidemocráticos;
2) a substituição do trabalho técnico pela "boa vontade";
3) o isolamento técnico e político entre entidades e em relação a outros serviços públicos ou privados. No âmbito técnico-político, esse isolamento impede a relação das pessoas com outros serviços e isenta de responsabilidades outras organizações e o próprio Estado. No âmbito administrativo, a instituição como um todo é muito menos econômica;
4) o fechamento em relação à comunidade, seja na garimpagem de voluntários, seja na busca da contribuição que outros segmentos, como o comércio e a indústria, possam oferecer;
5) o não investimento na qualificação dos recursos humanos;
6) o isolamento político. As entidades ainda não perceberam que terão melhor desempenho, na medida em que exigirem e conquistarem serviços permanentes na área da educação, da saúde, da cultura etc.;
7) a falta de um esquema estratégico de captação de fundos;
8) a não participação dos associados na administração do cotidiano institucional e a sobreposição de interesses pessoais dos gerentes em relação às necessidades das demais pessoas envolvidas no processo de atendimento.
Fonte: transcrição do trabalho de Alfredo Barbetta sobre Gerenciamento Empresarial da Entidade Social.
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